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O que é pior para a sua saúde? Não ter amigos ou fumar?

Foto: Creative Commons (Pixabay)
Que fumar mata, não é segredo para ninguém. Mas os graves riscos que corremos por não ter amigos poderiam ser muito piores. Pelo menos é isso que afirma uma nova pesquisa publicada na revista especializada Proceedings of the Royal Society B.
Aparentemente, os pesquisadores da Universidade de Harvard descobriram uma inquietante relação: que a solidão afeta os níveis de uma proteína que é responsável pela coagulação sanguínea. O pior, é que a alteração no funcionamento normal desta proteína pode causar ataques cardíacos ou acidentes cardiovasculares.
Você luta, ou você fugir?
O isolamento social contribui para ativar a conhecida reação de luta ou fuga, uma resposta fisiológica diante da percepção de dano, ataque ou ameaça a nossa sobrevivência. Essa reação libera vários hormônios e proteínas, entre elas o periósteo, que vai na previsão de prováveis lesões e a consequente perda de sangue. O grande problema é que o excesso de fibrinogénio é prejudicial para a saúde, já que eleva a pressão sanguínea e faz com que com o passar do tempo se acumulam depósitos de gordura nas artérias.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores da Universidade de Harvard, compararam os níveis desta proteína com o número de amigos e familiares na rede social de um grupo de pessoas. Encontraram uma correlação realmente surpreendente. À medida que o número de conexões sociais descia, o nível de fibrinogênio se elevava.
As amargas conseqüências da solidão
As pessoas que só tinham cinco amigos em suas redes sociais, tinham 20% mais altos os níveis desta proteína do que os que tinham 25. Os que em torno de dez amigos tinham as mesmas seqüelas em seus níveis e, aqueles que começam a fumar.
Acredita-Se que o isolamento social faz com que a gente se sinta ameaçada ou vulnerável, pelo que se ativa com mais frequência a reação de luta ou fuga. Esta resposta continuada, a longo prazo, pode ser letal. “Temos observado uma associação significativa entre as conexões sociais e os níveis de fibrinogênio”, asseguram os pesquisadores.
Não é o primeiro estudo que chega a estas conclusões. Outra pesquisa realizada por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Brigham Young (Utah), assegurou que “estabelecer relações pessoais estáveis é tão importante para levar uma vida saudável que outras atividades em que colocamos todo o nosso empenho, como perder peso, sair para correr, manter uma dieta saudável ou deixar de fumar.
De acordo com Julianne Holt-Lunstad, coautora da pesquisa, “a falta de relações sólidas é o equivalente a fumar 15 cigarros por dia”. Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores analisaram em profundidade um total de 150 estudos que abordavam o risco de mortalidade e as redes sociais. Essa análise incluiu dados que haviam sido coletados de mais de 300.000 pessoas ao longo de sete anos.
O maior impacto sobre a mortalidade do que a poluição
Perceberam então que algo surpreendente e revelador: que não se relacionar com o mundo exterior é mais prejudicial para a nossa saúde do que ser um alcoólatra, fumar ou não fazer exercício. Ah. E duas vezes pior do que ser obeso. Mas não se vá ainda, que ainda há mais: um baixo nível de interação tem maior impacto sobre a mortalidade prematura que a exposição à poluição ambiental.
Segundo ponderou Holt-Lunstad: “Não pretendo, em nenhum caso, minimizar o dano de outros fatores de risco, pois são muito importantes para ter uma vida saudável”. Segundo os pesquisadores, esse estudo poderia servir como um aviso “para começar a valorizar nossas relações com mais seriedade”. Além disso, como lembra o pesquisador Timothy Smith, colega de Holt-Lunstad, “as relações sociais saudáveis são boas para nossa saúde física e psicológica. Nossa espécie está concebida para trabalhar em grupo”. De fato, está comprovado que quando as pessoas se aislan, não só perdem o contato com a realidade, mas que repercute de forma muito negativa em nosso organismo. Desde problemas psicológicos, transtornos de ansiedade ou depressão.
Fontes:
telegraph.co.uk | journals.plos.org
Uma nova pesquisa da Universidade de Harvard, chega a conclusões surpreendentes

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