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Um estudo explica como alterações na flora intestinal causa da obesidade

Detalhe da flora intestinal. Crédito imagem: Virguti55
Há muito tempo se sabe que as mudanças em nossa flora intestinal, os trilhões de micróbios que habitam nossos intestinos, têm uma relação direta com a obesidade. Mas o mecanismo não estava claro. Agora, um novo estudo, publicado na revista Nature, consegue explicar o que acontece.
Em um estudo anterior, também publicado na Nature, o professor de Yale, Gerald I. Shulman, observou-se que o acetato, um ácido graxo, estimula a secreção de insulina em roedores. Mas precisava de mais informações para entender as causas. Para isso, junto a uma equipe de cientistas injetaram acetato diretamente no cérebro de roedores, o que provocou um aumento dos níveis de insulina (implicada no aproveitamento dos nutrientes), mas também “estimulou a secreção de hormônios íleo e hipotalâmico grelina, que conduzem a um aumento da ingestão de alimentos”.
Por último, a equipa de investigação tentou estabelecer uma relação causal entre a microbiota intestinal e o aumento dos níveis de três hormônios. Para isso, realizaram um transplante de matéria fecal de um grupo de ratos e descobriram que esta simples mudança, variava também os níveis de acetato e de insulina.
“Estas experiências – que termina Shulman – demonstram uma relação causal entre as alterações na microbiota intestinal e as mudanças na dieta e a obesidade. Ocorre um ciclo de feedback: mais acetato provoca mais esta insulina aumenta os estímulos para comer a meio da hipotalâmico grelina e o íleo, que, por sua vez, geram mudanças na flora intestina…o que aumenta os níveis de acetato”.
Os autores do estudo sugerem que este ciclo pode ter tido um papel importante na evolução, ao permitir que alguns animais possam engordar quando, em tempos de escassez, se encontravam com uma fonte de alimentos ricos em calorias.
Cientistas de Yale identificam os mecanismos que provocam. Poderiam ter relação com uma estratégia evolutiva.

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