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Viver com o seu companheiro não só mudar a sua vida, também altera as células

Foto: Creative Commons (Flickr | Pedro Ribeiro Simões)
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Sem lugar a dúvidas, passar a viver com o seu parceiro é um dos passos mais importantes em um relacionamento. Quando ambos têm claro o que querem ver cada manhã ao acordar e a cada noite ao deitar-se e decidem compartilhar seu dia-a-dia, sabem que a sua vida mudará por completo a todos os níveis. Se tornam uma equipe de dois, mimetizam-se e começam a fazer as mesmas coisas quase sem se dar conta, com o fim de adaptar-se um ao outro e começar um belo caminho. O que até agora não sabíamos, é que mesmo as nossas células se compenetran neste trâmite, provocando mudanças no nosso organismo.
De acordo com uma nova pesquisa publicada na revista Nature, ir viver com o nosso parceiro provoca a mímesis de ambos a nível celular. Isso não deve soar estranho. Em adultos, apenas 25% das variações são determinadas pela genética. Do resto se encarrega de nosso sistema imunológico. Chegados a este ponto, devemos explicar que os seres humanos somos iguais, com respeito ao resto de sistemas internos, mas totalmente diferentes, no caso do encarregado de ajudar-nos a evitar doenças. Este, que é “altamente elástico”, vai se configurando através do nosso estilo de vida (esporte, dieta, local de residência…) e infecções.
O que mais surpreendeu os cientistas da Universidade Católica de Lovaina, é que a variação genética ocorre entre duas pessoas que vivem juntas altera um 50% menos do que as de qualquer pessoa. Para chegar a estas conclusões, os cientistas analisaram amostras de sangue de 670 pessoas durante seis meses, das quais 70 delas estavam casadas. Houve duas descobertas surpreendentes. O primeiro deles foi que os sistemas imunológicos de homens e mulheres da mesma idade são praticamente iguais. Isso é curioso porque estudos anteriores demonstraram que as mulheres sofrem mais de doenças auto-imunes que os homens. Conforme explica Adrian de Liston, principal autor do estudo, “é possível que as pequenas diferenças que existem entre ambos os sexos tenham um grande impacto sobre as mulheres à medida que envelhecem”.
No entanto, a descoberta mais inesperado é que os sistemas imunes de casais que vivem juntos, são muito parecidos. As 70 casais analisadas mostraram, em média, menos de 50% de variação em seus sistemas imunológicos que o resto. “Ainda não estudamos as uniões de facto, tenho certeza de que o resultado seria muito parecido”, diz Liston.
Conviver com alguém implica uma ladainha de pequenas mudanças: a dieta, a ingestão do álcool ou das rotinas de exercício convergem. O mesmo acontece com a exposição à poluição ou infecções. Mesmo compartilhamos nossos micróbios. Em um beijo de 10 segundos trocamos 80 milhões de bactérias de 300 espécies diferentes. Conforme explica Liston, tudo isto leva a que o nosso sistema imunológico se pareça com o de nosso parceiro.
Ainda não sabemos muito bem como os fatores ambientais influenciam as células do sistema imune. Por isso, são tão importantes para esta classe de investigações, já que estas alterações podem ser mais ou menos susceptíveis a sofrer de certas doenças.
Fuentes:qz.com | nature.com |
Em um beijo de dez segundos trocamos 80 milhões de bactérias de 300 espécies diferentes (e isso é bom)

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