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Você é realmente benéfico tomar um par de palhetas ou de vinho por dia?

Foto: Creative Commons (Flickr | Nicolau Alexandre)
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Em um país como a Espanha, onde um dos principais esportes é mover o braço com o fim de levantar a cana (ou a taça de vinho), sabemos que o que menos gosta de ler é que este hábito é ruim para sua saúde. Por isso, temos uma notícia boa e outra má. A boa é uma pesquisa dinamarquesa recente comprovou que um par de vinhos cada noite reduz em 20% as chances de desenvolver uma doença coronariana. A má, é que esse mesmo estudo encontrou que, no caso das mulheres, aumenta em 30% as chances de sofrer um câncer de mama.
Conforme explica Janne Tolstrup, principal autora da pesquisa, verificamos que um aumento da ingestão de álcool durante um período de cinco anos relacionava-se com um maior risco de câncer de mama e a um menor risco de doença coronariana em mulheres pós-menopausa, em comparação com a ingestão de álcool estável.”.
Outra pesquisa publicada recentemente pela Universidade de Alberta, assegurava que tomar uma taça de vinho por dia pode ter o mesmo efeito que uma hora de ginástica. Tudo graças aos benefícios do resveratrol, que, aparentemente, ajuda a melhorar o desempenho físico, a frequência cardíaca e a força muscular.
Mas nem todos os cientistas vêem tantas bondades para estas bebidas alcoólicas. Segundo explicava há um tempo Mike Daube, professor de política de saúde na Universidade de Curtin (Austrália), estas afirmações são demasiado boas para serem verdadeiras. “Titulares semelhantes a ‘um par de taças podem ajudar a reduzir os ataques cardíacos’ promoveram mensagens sobre as propriedades cardioprotectoras do álcool, muitos médicos se sentiram confortáveis assegurando aos pacientes que o álcool pode ser benéfico e os políticos aproveitaram essas provas sobre os potenciais benefícios para justificar o seu fracasso na hora de agir para reduzir os danos”.
No ano passado, um grupo de pesquisadores britânicos e australianos publicaram na revista British Medical Journal (BMJ), os resultados de um estudo em que haviam avaliado os supostos benefícios que são atribuídas a um consumo responsável de álcool. Seu método de trabalho foi analisar os dados da Pesquisa de Saúde na Inglaterra dos anos de 1998 a 2008 e comparar com os que nunca haviam bebido com os que tinham mantido um consumo moderado. Principalmente, a capacidade protetora do álcool reduz-se a mulheres de 65 anos e um pouco menos em homens entre 50 a 64. Mas, apesar de haver uma melhora, era tão mínima que não merecia a pena, nem da análise.
O caso é que os resultados obtidos pelos cientistas até agora são contraditórias. Em casos de estudos de coorte, como o dinamarquês, os resultados não são de todo confiáveis. A comparação entre as pessoas que bebem com as que não bebem não é objetiva, já que não se valoriza, se essas pessoas têm outros problemas de saúde ou antecedentes de alcoolismo que lhes foram capazes de causar doenças como a cirrose. Talvez, se você escolher a outro grupo de controle, para avaliar os resultados, obter dados diferentes.
Um novo estudo garante que sim, uma conclusão que se choca frontalmente com os resultados de outras investigações

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